Absolutismo monárquico


 

Durante a Idade Moderna ocorreu o fortalecimento gradual dos governos das monarquias nacionais em grande parte da Europa. Desse processo, resultou outra característica do Antigo Regime, que foi o absolutismo monárquico.

A expressão absolutismo monárquico surgiu provavelmente entre as correntes liberais do século XVIII, com um sentido de crítica ao poder ilimitado e pleno assumido por considerável parcela dos monarcas desse período. Nas monarquias absolutistas, a autoridade do rei constituía a fonte suprema dos poderes do Estado. Em nome do soberano, o poder era exercido pelos diversos setores do governo: nas finanças, na elaboração das leis, nos tribunais de justiça, no exército, nas relações exteriores etc. O regime absolutista, sob diferentes formas, ocorreu em países como Portugal, Espanha, Inglaterra e França.

O rei Luís XIV da França, que assumiu o trono em 1651 e governou até 1715, é um dos exemplos mais representativos de monarca absolutista. Era considerado o centro do qual irradiava a “luz da França” e, por isso, adotou o Sol como símbolo de seu poder. Atribui-se a ele a famosa frase: L’État c’est moi (“O Estado sou eu”) para indicar que ele era o representante máximo do Estado. Sua figura era também considerada sagrada, muitas pessoas acreditavam que o toque da mão do rei tinha o poder de curar certas doenças. Os objetos ligados à sua pessoa despertavam o respeito que se confere às coisas sagradas. Isso valia para o trono, o manto real, o cetro, seu quarto de dormir, a sala de sua refeição, o retrato real.

A defesa do absolutismo 

Por que as pessoas de uma sociedade deveriam permitir que os poderes do Estado se concentrassem nas mãos do rei? Vários teóricos daquele período tentaram responder a essa pergunta, elaborando argumentos que justificassem o absolutismo. Dentre eles, destacamos Thomas Hobbes e Jacques Bossuet.

Thomas Hobbes

O filósofo inglês Thomas Hobbes (1588-1679) defendia o poder absoluto como condição necessária para a paz e o progresso. Escreveu o livro Leviatã (1651), em que compara o Estado a um monstro poderoso, criado para acabar com a desordem e a insegurança da sociedade.

Segundo Hobbes, nas sociedades primitivas, “o homem era o lobo do próprio homem”. Isso quer dizer que as pessoas viviam em constantes guerras e matanças entre si, cada qual lutando por sua sobrevivência e olhando para seus interesses individuais.

Só havia uma solução duradoura para esses conflitos: estabelecer um “contrato social”, no qual cada um deveria renunciar à sua liberdade em favor de um governo absoluto, capaz de garantir a ordem, a direção e a segurança no convívio social.

Assim, Hobbes justificava o poder absoluto do governante como condição necessária à paz e ao progresso da sociedade. O poder do Estado nasceria desse “contrato social”, acordo no qual a vontade de quem governasse (uma pessoa ou uma assembleia) passaria a valer como vontade de todos. Buscar o bem-estar do povo seria o dever básico do titular do poder político.

Jacques Bossuet

O bispo francês Jacques Bossuet (1627-1704) defendia o poder absoluto do rei como direito divino. Bossuet dizia que o rei era predestinado por Deus para governar. Assim, seu poder, sendo de origem divina, só podia ser absoluto. Por isso, o rei estava acima de todos os súditos e não precisava justificar a ninguém suas atitudes e ordens — somente Deus poderia julgá-las. Mas era natural ao “bom” rei usar seu poder para a felicidade geral do povo. É de Bossuet a frase “Um rei, uma fé, uma lei”, que se tornou uma espécie de lema das monarquias cristãs absolutistas.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

CICLOS ECONÔMICOS NA HISTÓRIA DO PARANÁ

GUERRA FRIA

A OCUPAÇÃO TERRITORIAL DO PARANÁ