AS NAVEGAÇÕES DOS SÉCULOS XV E XVI

 

Mapa de 1502 mostrando a linha do Tratado de Tordesilhas

As Grandes Navegações e o Pioneirismo Português

Durante o final da Idade Média e o início da Idade Moderna, a Europa passou por importantes transformações econômicas e comerciais. Um dos principais fatores que impulsionaram essas mudanças foi a grande procura por especiarias orientais, como pimenta, canela, noz-moscada e cravo. Esses produtos eram muito valorizados na Europa, pois serviam para temperar alimentos, conservá-los por mais tempo e também para a produção de perfumes e remédios.

No entanto, as rotas comerciais que ligavam a Europa ao Oriente eram controladas principalmente por mercadores árabes e italianos, que atuavam como intermediários. Isso fazia com que as especiarias chegassem à Europa com preços muito elevados. Diante dessa situação, vários reinos europeus passaram a buscar novas rotas marítimas que permitissem chegar diretamente ao Oriente, evitando os intermediários e aumentando os lucros comerciais.

Portugal foi o primeiro reino europeu a liderar esse processo de expansão marítima. Esse pioneirismo ocorreu por vários motivos. Um deles foi a centralização política, que garantiu maior organização do Estado e apoio às expedições marítimas. Além disso, os portugueses já possuíam experiência em navegação no oceano Atlântico, devido às atividades de pesca e comércio marítimo.

Outro fator importante foi o desenvolvimento de conhecimentos científicos e instrumentos de navegação, como mapas mais precisos, a bússola e o astrolábio, que ajudavam os navegadores a se orientar no mar. Também houve avanços tecnológicos na construção naval, como a caravela, uma embarcação rápida e resistente que permitia navegar em mar aberto e até mesmo contra o vento.

Em 1415, os portugueses conquistaram a cidade de Ceuta, no norte da África. Esse acontecimento é considerado o marco inicial da expansão marítima portuguesa. A partir desse momento, Portugal iniciou o chamado périplo africano, ou seja, o contorno do continente africano com o objetivo de encontrar um caminho marítimo até a Índia e outras regiões produtoras de especiarias.

Essas navegações abriram novas rotas comerciais, ampliaram o contato entre diferentes povos e deram início a um período de expansão europeia que teria profundas consequências para a história mundial.

As Grandes Navegações e a Chegada dos Europeus à América

Durante o século XV, os países europeus passaram a buscar novas rotas comerciais para chegar ao Oriente. Essa região era conhecida pela produção de especiarias e outros produtos muito valorizados na Europa. No entanto, as rotas comerciais que ligavam a Europa ao Oriente eram controladas por outros povos, o que dificultava o comércio e tornava os produtos muito caros.

Um dos acontecimentos que intensificou essa busca por novas rotas foi a conquista da cidade de Constantinopla pelos turco-otomanos, em 1453. Esse fato dificultou ainda mais o comércio europeu no Mar Mediterrâneo e incentivou a exploração de novos caminhos marítimos.

Entre os navegadores portugueses, destacaram-se Bartolomeu Dias, que em 1488 contornou o Cabo da Boa Esperança, comprovando a ligação entre os oceanos Atlântico e Índico, e Vasco da Gama, que em 1498 conseguiu chegar à Índia por via marítima, estabelecendo uma nova rota comercial entre a Europa e o Oriente.

Enquanto isso, a Espanha financiou a expedição do navegador Cristóvão Colombo. Ele acreditava que seria possível chegar ao Oriente navegando para o oeste, atravessando o Oceano Atlântico. Em 1492, Colombo partiu com três navios e chegou a uma ilha do Caribe, acreditando ter alcançado as Índias. Na realidade, ele havia chegado a um continente desconhecido pelos europeus: a América.

MAPA MUNDI DE HENRICUS MARTELLUS, 1498.


Alguns anos depois, em 1500, a expedição portuguesa comandada por Pedro Álvares Cabral chegou ao território que hoje corresponde ao Brasil. Durante a viagem para a Índia, sua frota desviou-se para o oeste e alcançou o litoral da atual Bahia.

Para evitar conflitos entre Portugal e Espanha pelas novas terras descobertas, foi assinado em 1494 o Tratado de Tordesilhas. Esse acordo estabelecia uma linha imaginária que dividia as terras descobertas entre os dois países: as terras a leste ficariam com Portugal e as terras a oeste com a Espanha.

A chegada dos europeus à América teve profundas consequências para os povos que já habitavam o continente. Muitos indígenas morreram devido às guerras e às doenças trazidas pelos europeus. Além disso, houve a conquista de grandes civilizações, a exploração de recursos naturais e a implantação de sistemas coloniais baseados na exploração do trabalho indígena e, posteriormente, africano escravizado.

Assim, as Grandes Navegações marcaram o início de um processo de expansão europeia que transformou profundamente a história do mundo e das sociedades americanas.



Doc. "Caravelas e Naus um Choque Tecnológico no século XVI"


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